As mutações trazidas pela tecnologia têm preocupado estudiosos do jornalismo em todo o mundo, mas ainda não havia percebido até recentemente esta curiosidade nos alunos da graduação. A preocupação legítima em entender o mercado e os seus produtos, analisar discursos, experimentar novos produtos sempre falou mais alto nos últimos sete anos em que acompanhei como orientadora pesquisas de monografias para conclusão de curso.
Vejo no interesse dos graduandos, um reflexo do mercado em construção. Foi assim com análise de discursos de produtos midiáticos, a internet e redes sociais, jornalismo especializado, projetos de comunicação coorporativa e, agora, me chegam propostas de pesquisa para discutir o sentindo do jornalismo. Talvez porque seja o tema da minha pesquisa de doutorado prevista para concluir em 2017, talvez porque o jornalismo e os seus interesses estejam sendo colocados em xeque de maneira violenta pela sociedade conectada e cada vez mais informada.
Tenho uma desconfiança: quantos mais ataques o jornalismo sofra, mais ele se fortaleça, mais se aperfeiçoe e, quem sabe, se recrie melhor e mais ético. Mas é quase uma esperança, sem fundamentos científicos. Em 2007, o pesquisador estadunidense Michael Schudson, professor da Universidade de Columbia, já chamava a atenção para o futuro do jornalismo em dez ou 20 ou 50 anos. “Ninguém sabe. Sabemos que vai ser mais online do que é hoje. Será mais online na próxima semana! Eu acho que podemos estar confiantes de que alguns tipos de noticiários de televisão e notícias de rádio vão continuar, mas há mais preocupações sobre jornais” (SCHUDSON, 2007, p.20).
